Responsável pelo Serviço de Georreferenciação do Departamento de Metodologia e Sistemas de Informação
INE

Ana Maria Antónia dos Santos é licenciada em Geografia e Planeamento Regional pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (1985) e Mestre em Sistemas de Informação Geográfica pelo Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa (2008). Integrou o Instituto Nacional de Estatística, IP (INE) em 1985 como Técnica Superior de Estatística no Gabinete de Cartografia da Divisão de Preparação de Censos e Inquéritos e Análise de Resultados da Direção de Serviços de Censos e Inquéritos, para participação na construção da Base Geográfica de Referenciação Espacial (BGRE 91) de suporte à realização dos Censos 1991. Desde Julho de 1999 que dirige o Serviço Geoinformação do Departamento de Metodologia e Sistemas de Informação, responsável pela construção e gestão da Infraestrutura de Informação Geográfica de suporte à atividade estatística oficial, designadamente no domínio dos Censos da Habitação e da População. No âmbito da geoinformação, é representante do INE no Conselho de Orientação do Sistema Nacional de Informação Geográfica (CO-SNIG) presidido pela Direção Geral do Território e no Working Group on Integration of Statistical and Geospatial Information do EUROSTAT. É membro do Steering Committee do European Forum for Geography and Statistics (EFGS), tendo sido responsável pela participação do INE nos projetos GEOSTAT. Ao longo da carreira profissional tem apresentado diversas comunicações em Conferências e Seminários Nacionais e Internacionais e participado em Ações de Cooperação para o Desenvolvimento, na área das Infraestruturas SIG com os Institutos Nacionais de Estatística dos PALOP. Foi Professora Assistente Convidada no Curso Geografia e Planeamento Regional da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa (UNL) nos anos letivos 1990/1991 a 2005/2006.

Os Censos 2021 e o papel da informação geográfica para a transição do modelo censitário

SIG: Optimização e Eficiência | 15h10


No passado dia 28 de julho, menos de 4 meses após o momento censitário, o INE divulgou os Resultados Preliminares do XVI Recenseamento Geral da População e VI Recenseamento Geral da Habitação, Censos 2021 como também são designados.

Os Censos, são as maiores operações estatísticas realizadas em qualquer país do mundo e destinam-se a obter informação sobre toda a população residente, as famílias e o parque habitacional. São uma fonte de informação para certas características sociais, demográficas e económicas para pequenas áreas geográficas e constituem frequentemente uma importante fonte de informação para as infraestruturas de amostragem dos inquéritos às famílias.

Os Recenseamentos da População e da Habitação realizam-se em simultâneo em Portugal, desde 1970 e desde 1991 utilizam cartografia censitária com a delimitação de pequenas áreas estatísticas para a totalidade do território.

Recolher informação estatística através de uma operação censitária representa um grande investimento e uma significativa carga estatística sobre todas as pessoas residentes no país.

Prosseguindo o programa de transformação dos Censos para um modelo mais eficiente com recurso a informação administrativa, os Censos 2021 utilizaram pela primeira vez o Ficheiro Nacional de Alojamentos (FNA) constituído a partir dos Censos 2011 e atualizado com informação de operações estatísticas por amostragem e fontes administrativas. A Lista de Edifícios e Alojamentos criada a partir do FNA, foi um importante instrumento de suporte à organização e planeamento do trabalho na área geográfica de cada recenseador.

Foram utilizados dois importantes conjuntos de dados geográficos, a Base Geográfica de Referenciação de Informação (BGRI2021) com a tradicional divisão do país em pequenas áreas e a Base Geográfica de Edifícios (BGE).

A intensificação do uso de tecnologias de informação no processo de recolha, já testadas nas operações teste e piloto realizadas em 2016, 2018 e 2020, permitiu manter a identificação dos alojamentos e edifícios existentes a criação de novas unidades estatísticas, bem como a georreferenciação das mesmas.

Os dados dos Censos 2021 serão decisivos para apoiar o processo de transição do modelo censitário atual para um modelo predominantemente administrativo capaz de responder às orientações e tendências internacionais, visando a redução dos elevados custos associados às

operações censitárias clássicas, a diminuição da carga estatística sobre os cidadãos e a divulgação da informação censitária com maior frequência.

Nesta comunicação pretende-se apresentar a informação geográfica utilizada nos Censos 2021 e a forma como foi disponibilizada e usada pela aplicação que cada recenseador instalou no seu telemóvel.

Realça-se igualmente a importância da BGE para os trabalhos subsequentes ao nível da Base de População Residente (BPR), elemento central do projeto Censos com Dados Administrativos, e a prevista divulgação de dados ao nível da Grid 1km