Projetos de energia solar, da pobreza energética, da modelação urbana e efeito ilha de calor
Lisboa E-Nova

Mestre em Engenharia da Energia e do Ambiente (2013) e Doutorada em Sistemas Sustentáveis de Energia (2018), pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Trabalha na Lisboa ENova desde 2019, onde se tem dedicado a projetos nas áreas da energia solar, da pobreza energética, da modelação urbana e efeito ilha de calor.

Ferramentas Geográficas Para a Sustentabilidade Em Áreas Históricas Urbanas

SIG: Criar um Futuro Sustentável | 16h10


As Áreas Históricas Urbanas têm um papel vital para a preservação e reativação da identidade única e dos valores de cada cidade. Contudo, dadas as suas características sociais, culturais e geográficas, são normalmente áreas mais expostas a inúmeros fatores de pressão e degradação urbana. São áreas muito afetadas, entre outros fenómenos, por processos de gentrificação, pelo impacto negativo do turismo de massa, pela pobreza urbana, pela segregação social, pela degradação dos espaços públicos e abandono de edifícios de valor patrimonial e histórico. Pelas suas vulnerabilidades, sociais e no ambiente construído, são áreas particularmente sensíveis ao fenómeno global das alterações climáticas.

Neste contexto, a regeneração integrada das Áreas Históricas Urbanas, é atualmente reconhecido como um dos principais motores do desenvolvimento sustentável urbano. Para isso, é necessário reativar os valores e os ativos culturais e patrimoniais de cada área histórica, promovendo a inovação e a criação de novos negócios, incentivando novos estilos de vida mais sustentáveis e aumentando a resiliência do território e das comunidades locais.

As ferramentas geográficas são essenciais para apoiar estes processos de intervenção e regeneração junto das comunidades locais em áreas históricas e podem ser utilizadas em diferentes momentos destes processos e com objetivos variados. Identificamos quatro funções principais:

1) Suporte ao diagnóstico das Áreas Históricas: Ajudam a mapear diferentes aspetos do território, como por exemplo, o perfil socioeconómico das comunidades, as suas características demográficas, o potencial dos seus recursos naturais e culturais, as características e o estado de conservação do edificado ou o tipo de espaços públicos.

2) Apoio à tomada de decisão de base territorial : Suportam as tomadas de decisões de base territorial, pois ajudam a criar cenários que mostram o impacto geográfico de determinadas escolhas. É exemplo disso, o mapa do potencial solar da área histórica de Lisboa que ajuda na escolha dos melhores telhados para a exploração de energia solar fotovoltaica ou o mapa de acessibilidades que explora percursos pedonais alternativos para incentivar o comércio local em certas zonas e reduzir a pressão turística noutras.

3) Participação e envolvimento das comunidades locais: Permitem criar formas inovadoras para incentivar a participação e o envolvimento dos cidadãos e das comunidades nos processos de tomada de decisão que afetam diretamente os seus bairros.

4) Recolha de informação através de inquéritos : A criação de inquéritos georreferenciados dirigidos às comunidades locais, permite recolher informação adicional de bastante relevância para captar particularidades destes bairros e dos modos de vida as populações, que escapam os levantamentos estatísticos a outras escalas de menor pormenor.

A Lisboa E-Nova irá apresentar duas ferramentas geográficas- o ALFAMA toolkit e a GEOTOOL, que abrangem as quatro funcionalidades principais acima inumeradas. Estas ferramentas estão a ser desenvolvidas com tecnologia ESRI em vários centros históricos europeus, no âmbito de dois projetos europeus sobre sustentabilidade em áreas históricas urbanas, o projeto SUSHI1e o projeto HUB-IN2 , respetivamente. Serão debatidos as suas principais características e os principais desafios que a Lisboa ENova e as cidades parceiras estão a enfrentar para a sua implementação.